Vale a pena ver de novo #579

➜ EDIÇÃO 579

Retrospectiva 2025

Antes de virar a página e dar as boas-vindas a um novo ano, é hora de olhar para trás e relembrar o que realmente marcou nossa jornada. Entre lançamentos, debates quentes, histórias inspiradoras e análises que deram o que falar, reunimos nesta semana as melhores matérias do ano — aquelas que informaram, provocaram reflexões e acompanharam os principais movimentos da cultura, da tecnologia e do entretenimento. Um convite para revisitar os destaques que ajudaram a contar a história de 2025.

o ano em que a estética Ghibli quebrou a internet

OpenAi / Reprodução

🤯 Entre memes improváveis, tendências relâmpago e disputas sobre direitos autorais, 2025 também ficou marcado por um surto coletivo de imagens geradas por IA. O episódio mais emblemático? A explosão de criações no estilo do Studio Ghibli feitas no ChatGPT — um fenômeno tão intenso que obrigou a própria OpenAI a pisar no freio.

Depois de virais como o “Papa de casaco puffer branco” e outras criações surreais, a internet encontrou um novo vício: transformar pessoas, memes e momentos históricos em cenas dignas de um filme de animação japonês. A febre se espalhou em ritmo acelerado e colocou uma pressão inédita sobre a infraestrutura da empresa.

Quando até o CEO pediu calma

🔥 O tamanho da onda foi tão grande que Sam Altman, CEO da OpenAI, precisou se manifestar publicamente. Em tom bem-humorado — e sincero — ele resumiu a situação com uma frase que entrou para a lista de citações do ano: “nossas GPUs estão derretendo”.

Para conter o excesso de uso, a OpenAI anunciou limites temporários na geração de imagens dentro do ChatGPT. Segundo Altman, a equipe correu para otimizar os sistemas e evitar que a demanda comprometesse o funcionamento da plataforma como um todo. A restrição, reforçou ele, era uma medida emergencial, mas simbólica do quanto a IA já havia se tornado parte do cotidiano digital.

Como a febre começou

🤖 Olhando em retrospectiva, tudo começou após uma atualização significativa no gerador de imagens do ChatGPT. A melhora na qualidade, no detalhamento e na fidelidade estética abriu as portas para uma enxurrada de experimentos criativos e poucos estilos se mostraram tão irresistíveis quanto o do Studio Ghibli.

Em questão de dias, redes sociais foram inundadas por versões “fofas”, nostálgicas e mágicas de praticamente tudo. O que parecia apenas uma brincadeira rapidamente virou um dos maiores trends de IA do ano.

Criatividade vs. direitos autorais

🧑‍⚖️ Como quase toda grande tendência envolvendo inteligência artificial, a febre Ghibli trouxe consigo uma discussão espinhosa. Especialistas e veículos internacionais lembraram que, embora a IA evite copiar diretamente o estilo de artistas vivos, estúdios consagrados não recebem o mesmo tipo de proteção explícita.

O debate ganhou ainda mais peso por conta da postura histórica de Hayao Miyazaki, criador do Studio Ghibli, conhecido por sua oposição pública à arte gerada por IA. Juridicamente, estilos artísticos não são protegidos por copyright, mas o uso de obras protegidas no treinamento de modelos de IA segue sendo um território cinzento.

Não por acaso, gigantes como OpenAI e Microsoft já enfrentam processos relevantes, como o movido pelo New York Times, e muitos viram na febre Ghibli um possível prenúncio de novos embates legais no futuro.

Quem ficou de fora da brincadeira

🔒 Para reduzir a sobrecarga, a OpenAI também limitou o acesso ao gerador de imagens. Durante boa parte do ano, apenas usuários dos planos ChatGPT Plus, Pro e Team puderam continuar criando imagens. Quem estava na versão gratuita precisou aguardar a reabertura gradual da ferramenta.

O que esse episódio diz sobre 2025

⚡ No fim das contas, a onda de imagens no estilo Studio Ghibli entrou para a retrospectiva como um retrato perfeito do momento da IA: poderosa, criativa, viral e cheia de desafios técnicos, éticos e legais.

Entre servidores no limite, debates sobre copyright e milhões de imagens compartilhadas, o episódio deixou claro que a inteligência artificial já não é apenas uma ferramenta experimental. Ela virou protagonista da cultura digital e, às vezes, um problema grande demais até para quem a criou.⚡

Quando o Google revolucionou a criação de imagens com IA

Reprodução

🤯 Se 2025 ficou marcado pela democratização das ferramentas de inteligência artificial, o Google teve um papel central nessa virada. Ao longo do ano, a empresa deixou de tratar edição com IA como recurso experimental e passou a colocá-la diretamente nas mãos do público. O símbolo dessa mudança foi a liberação de dois editores que antes viviam nos bastidores: o Nano Banana, para imagens, e o Vids, focado em vídeo dentro do Google Workspace.

O movimento deixou claro o novo posicionamento da empresa: IA não é mais coisa de laboratório, é ferramenta do dia a dia.

Nano Banana: quando editar virou escrever

🎨 Em retrospecto, o Nano Banana entrou para a lista das ferramentas que mudaram a forma como as pessoas encaram edição de imagem. Em vez de camadas, máscaras e ajustes técnicos, tudo passou a funcionar a partir de texto. Bastava descrever a cena para trocar cenários, roupas, contextos ou até criar imagens totalmente novas.

Nos exemplos apresentados ao longo do ano, fotos comuns viraram cenas irreais com aparência convincente: pets em situações improváveis, pessoas em profissões que nunca exerceram e ambientes completamente recriados. O recurso também ganhou destaque no design de interiores, permitindo simular móveis, pinturas e decorações em ambientes vazios, algo que rapidamente encontrou espaço fora do universo “meme”.

Embora o nome já circulasse antes, o Nano Banana deixou de ser exclusividade do AI Studio e do Vertex AI e passou a aparecer diretamente no Gemini, marcando sua chegada definitiva ao grande público.

Vids: edição de vídeo sem sofrimento

🎬 Já o Vids simbolizou outra tendência forte do ano: a tentativa de tornar o vídeo tão simples quanto criar uma apresentação. Integrado ao Google Workspace, o editor passou a oferecer uma versão básica gratuita, voltada para quem quer unir slides, imagens e clipes em um único arquivo — sem precisar dominar softwares complexos.

Para quem precisava ir além, o plano pago trouxe recursos de IA que resumem bem o espírito de 2025: avatares gerados pelo modelo Veo 3, transcrição automática, criação de cenas realistas com áudio e identificação do conteúdo por meio da marca invisível Google SynthID, reforçando a preocupação crescente com transparência em conteúdos feitos por IA.

O que esse lançamento representou no balanço do ano

🤖 No fim das contas, a liberação do Nano Banana e do Vids não foi apenas mais um anúncio de produto. Ela entrou para a retrospectiva como um símbolo da popularização da IA criativa, em um ano em que grandes empresas disputaram quem conseguia colocar mais poder nas mãos de usuários comuns.

Seja para transformar a foto do cachorro em arte, testar um novo layout de sala ou criar um vídeo corporativo sem dor de cabeça, o Google ajudou a consolidar uma ideia que marcou 2025: usar IA deixou de ser um diferencial — virou parte do básico.⚡  

Fim da escala 6x1? O debate que colocou a forma de trabalhar no centro das atenções

📅 Entre tantas discussões que marcaram o ano, uma delas mexeu diretamente com a rotina de milhões de brasileiros: a possível extinção da escala 6x1, em que se trabalha seis dias para folgar apenas um. Ao longo de 2025, o tema saiu das conversas informais e ganhou números, pesquisas e espaço no Congresso.

Um levantamento da Nexus Pesquisa e Inteligência ajudou a dimensionar o tamanho dessa insatisfação. Segundo o estudo, 65% dos brasileiros se mostraram favoráveis ao fim da escala 6x1, enquanto 27% defenderam a manutenção do modelo atual. Outros 5% ficaram indecisos e 3% não souberam opinar.

A pesquisa ouviu 2 mil pessoas presencialmente, entre os dias 10 e 15 de janeiro, com 95% de grau de confiança — números que ajudaram a transformar o debate em um dos mais relevantes do ano no mundo do trabalho.

Quem puxou o coro por mudanças

🧑‍💼 Ao longo do ano, os dados mostraram que o apoio ao fim da escala 6x1 foi ainda mais forte entre grupos diretamente impactados pela jornada extensa. Entre trabalhadores ativos, formais e informais, o apoio chegou a 66%. Já entre desempregados, o índice subiu para 73%.

O destaque ficou com os jovens de 16 a 24 anos, com impressionantes 76% a favor, reforçando o choque geracional em torno da relação com o trabalho. Mulheres (68%) e pessoas que ganham até um salário mínimo (70%) também apareceram entre os grupos mais favoráveis à mudança.

Entre aposentados, pensionistas, estudantes e donas(os) de casa, o apoio foi um pouco menor, mas ainda expressivo: 61%.

Qualidade de vida virou palavra-chave

🏖️ Em retrospecto, ficou claro que a principal motivação para a mudança não foi apenas econômica. Para 65% dos entrevistados, o fim da escala 6x1 representaria uma melhora direta na qualidade de vida. Apenas 16% acreditavam que a alteração seria prejudicial, enquanto 15% disseram que não faria diferença.

A produtividade também entrou na conversa. 55% dos brasileiros afirmaram que trabalhar menos dias por semana poderia aumentar o rendimento, enquanto 20% acreditavam no efeito oposto, um reflexo do embate entre modelos tradicionais e novas formas de organização do trabalho.

E o tempo livre, iria para onde?

👪 Quando questionados sobre como usariam o tempo extra, os brasileiros deixaram claro que descanso não significa improdutividade. Quase metade (47%) afirmou que gostaria de passar mais tempo com a família. Outros 25% priorizariam a saúde, 22% buscariam uma renda extra e 17% investiriam em cursos e capacitação.

🤔 O tema não ficou restrito às pesquisas. Em 2025, a discussão chegou oficialmente ao Congresso Nacional, com a deputada Érika Hilton (PSol-SP) protocolando um projeto de lei para acabar com a escala 6x1. Embora o texto ainda precise avançar na tramitação, o alto nível de apoio popular deixou claro que a pauta não é passageira.

🔎 Olhando para trás, o debate sobre o fim da escala 6x1 entrou para a retrospectiva como um dos símbolos de um ano em que os brasileiros questionaram, mais uma vez, como, quanto e para quê trabalhar. Independentemente do desfecho legislativo, 2025 deixou claro que a forma tradicional de organizar a jornada de trabalho já não é consenso e que mudanças seguem no horizonte.

A maior compra da história de Hollywood e o ano em que a Netflix mudou o jogo

🤯 Entre todos os anúncios que sacudiram a indústria do entretenimento no ano, nenhum foi tão impactante quanto este: a Netflix confirmou a compra da Warner Bros. e do HBO Max por US$ 82,7 bilhões, na maior aquisição já registrada na história de Hollywood.

O negócio, que de ser fechado em dinheiro e ações avaliadas a US$ 27,75 por papel, encerrou um dos períodos mais tensos e especulados da indústria do audiovisual. De uma só vez, a Netflix pode passar a controlar um estúdio responsável por alguns dos títulos mais icônicos da cultura pop — de Casablanca a Harry Potter, de O Mágico de Oz a Matrix, além de todo o universo DC e do legado da HBO, que redefiniu o conceito de televisão premium.

Mais do que um acordo financeiro, a “compra” entrou para a retrospectiva como um ponto de virada estrutural no streaming e no próprio modelo de Hollywood.

O lance que calou a concorrência

💰 Olhando em retrospecto, a estratégia da Netflix foi tudo menos cautelosa. O valor total da operação chega a US$ 82,7 bilhões, com patrimônio estimado em US$ 72 bilhões, além de um dos maiores break-up fees já vistos: US$ 5 bilhões caso o acordo seja barrado por reguladores.

A oferta agressiva esfriou de vez as investidas de concorrentes como Comcast e Paramount, que vinham sendo apontadas como possíveis compradoras. Nos bastidores, o período ficou marcado por acusações de favorecimento, rumores de empréstimos bilionários e uma verdadeira guerra silenciosa pelo futuro do conteúdo global.

Pensar em décadas, não em trimestres

🎞️ Ao anunciar o acordo, os executivos da Netflix deixaram claro o tom ambicioso da operação. Ted Sarandos, co-CEO da empresa, afirmou que a união permitiria “definir o próximo século de storytelling”, destacando o peso de reunir franquias como Game of Thrones, Harry Potter, Friends, O Senhor dos Anéis e o catálogo da DC sob o mesmo ecossistema.

Já Greg Peters, também co-CEO, reforçou que a compra acelera o crescimento da companhia “por décadas” e tentou acalmar Hollywood ao garantir que a Netflix manterá os lançamentos da Warner nos cinemas, uma promessa crucial em um momento em que o futuro da experiência cinematográfica segue em debate.

Do lado da então Warner Bros. Discovery, David Zaslav descreveu o acordo como o encontro de “duas das maiores contadoras de histórias do planeta” — um discurso que buscou enquadrar a fusão menos como um fim e mais como uma transição geracional.

Reguladores, política e o freio de mão puxado

⚠️ Se houve consenso em algum ponto ao longo do ano, foi este: o acordo não passaria despercebido pelos órgãos reguladores. Autoridades dos Estados Unidos e da Europa sinalizaram preocupação com o tamanho e o poder da Netflix após a aquisição.

A Paramount, inclusive, foi uma das empresas que mais vocalizaram críticas públicas, afirmando que a fusão dificilmente superaria o escrutínio regulatório devido ao domínio da Netflix no streaming global. Houve até movimentação política em Washington, mostrando que o impacto do acordo extrapolou Hollywood e entrou no campo da geopolítica cultural.

O futuro da HBO, do cinema e de Hollywood

🤔 No balanço do ano, a compra deixou mais perguntas do que respostas e talvez esse seja seu maior legado inicial. Entre os principais pontos de tensão levantados pela indústria:

  • A Netflix vai acelerar produções tradicionalmente pensadas para o cinema?

  • A HBO conseguirá manter seu ritmo “cirúrgico” de criação de séries?

  • O streaming passa a ser, definitivamente, o centro absoluto do entretenimento global?

Nos comunicados oficiais, a Netflix afirmou que pretende preservar e expandir a identidade da HBO e do HBO Max, tratando-os como ofertas complementares dentro de um ecossistema maior. Também garantiu a continuidade dos lançamentos cinematográficos, ao menos no curto e médio prazo.

📺 Já os canais lineares, como CNN, TNT, TBS e Food Network, ficaram de fora da operação e serão agrupados na nova Discovery Global, com lançamento previsto para o terceiro trimestre de 2026.

O que ficou para o futuro

📆 A conclusão do negócio depende de duas etapas-chave:

  • a separação definitiva dos canais lineares,

  • e a aprovação regulatória nos EUA e na Europa.

Se tudo avançar como planejado, o fechamento acontece em 2026. Até lá, Netflix e HBO Max seguem operando normalmente, sem mudanças imediatas para os assinantes — enquanto os bastidores trabalham em uma integração que deve levar anos.

🎬 Olhando para trás, a compra da Warner pela Netflix entrou para a história como o movimento que redefiniu os limites do streaming. Um acordo que não apenas reorganizou empresas, mas reposicionou o próprio conceito de Hollywood em um mundo onde contar histórias virou um jogo global, tecnológico e bilionário.

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