Vale a pena ver de novo #583

➜ EDIÇÃO 583

Retrospectiva 2025

Antes de virar a página e dar as boas-vindas a um novo ano, é hora de olhar para trás e relembrar o que realmente marcou nossa jornada. Entre lançamentos, debates quentes, histórias inspiradoras e análises que deram o que falar, reunimos nesta semana as melhores matérias do ano — aquelas que informaram, provocaram reflexões e acompanharam os principais movimentos da cultura, da tecnologia e do entretenimento. Um convite para revisitar os destaques que ajudaram a contar a história de 2025.

WhatsApp alcança 3 bilhões de usuários e consolida seu papel central no ano da Meta

Reprodução

🌍 Em um ano marcado por disputas acirradas no mercado de tecnologia e avanços acelerados em inteligência artificial, o WhatsApp atingiu um marco histórico: ultrapassou a impressionante marca de 3 bilhões de usuários ativos mensais. O número, revelado por Mark Zuckerberg, colocou definitivamente o aplicativo no seleto grupo dos poucos produtos digitais usados por quase metade da população conectada do planeta — ao lado apenas do próprio Facebook.

Criado em 2009 e adquirido pelo Facebook em 2014 por US$ 19 bilhões, o WhatsApp passou de um simples mensageiro a uma das infraestruturas mais importantes da comunicação global. Depois de alcançar 2 bilhões de usuários em 2020, o salto para 3 bilhões reforçou a relevância do app em um ano em que mensagens privadas, comunidades e serviços digitais ganharam ainda mais espaço no dia a dia das pessoas.

A peça-chave da estratégia de IA da Meta

🤖 O crescimento não foi apenas simbólico. Em 2025, o WhatsApp se consolidou como o principal campo de testes da Meta para suas ambições em inteligência artificial. De acordo com Susan Li, CFO da empresa, é no WhatsApp que acontece a maior parte das interações com a Meta AI, especialmente em conversas individuais — um sinal claro de que a IA começou a se integrar à comunicação cotidiana de milhões de usuários.

Esse movimento mostrou como o app deixou de ser apenas um canal de mensagens para se tornar uma plataforma estratégica, onde a Meta experimenta novos formatos de assistentes virtuais e serviços baseados em IA.

Um cenário diferente nos Estados Unidos

🇺🇸 Apesar do domínio global, o WhatsApp ainda enfrenta desafios em mercados específicos, como os Estados Unidos, onde os aplicativos nativos de mensagens continuam fortes. Esse cenário levou a Meta a apostar em um aplicativo separado da Meta AI, com a ambição declarada de transformá-la em um “assistente pessoal principal”, capaz de ajudar em decisões do dia a dia, entretenimento e produtividade.

WhatsApp Business e a monetização do ecossistema

💼 Outro destaque do ano foi o crescimento do WhatsApp Business, que se tornou uma engrenagem cada vez mais importante na receita da Meta. A ferramenta ajudou a impulsionar parte dos US$ 510 milhões faturados pela empresa com seus aplicativos, além de abrir caminho para novas soluções.

Entre elas, testes de painéis que permitem às empresas criarem seus próprios agentes de IA, alimentados por dados de sites e perfis no Instagram e Facebook, além da integração direta de chatbots nas conversas com clientes.

Um marco que define o ano

📊 Ao olhar para a retrospectiva, o recorde de 3 bilhões de usuários deixou claro que o WhatsApp não é apenas o mensageiro mais popular do mundo, mas também um dos pilares da estratégia futura da Meta. Em um ano em que a inteligência artificial ganhou protagonismo, o app se firmou como o ambiente ideal para testar, escalar e normalizar essas novas tecnologias.

No fim das contas, 2025 mostrou que o WhatsApp já não é só onde a gente conversa, é onde o futuro da comunicação digital está sendo construído.⚡

Brasil entra no topo global do ChatGPT e se firma como potência em IA

🤯 Se 2025 foi o ano em que a inteligência artificial deixou de ser promessa para virar rotina, o Brasil teve papel de destaque nessa virada. Segundo um levantamento inédito da OpenAI, o país terminou o ano como o terceiro maior usuário do ChatGPT no mundo, ficando atrás apenas de Estados Unidos e Índia. Os números impressionam: cerca de 140 milhões de mensagens por dia são enviadas por brasileiros ao chatbot — quase 5% de todas as interações globais.

Em um cenário em que o ChatGPT já processa mais de 2 bilhões de prompts diariamente, a presença brasileira no topo do ranking mostrou como a IA foi rapidamente incorporada ao cotidiano. Ao longo do ano, a ferramenta deixou de ser vista apenas como curiosidade tecnológica e passou a ser usada de forma prática para estudar, trabalhar, criar conteúdos, resolver problemas matemáticos e até desenvolver códigos de programação.

Um uso espalhado por todo o país

🗺️ Os dados também revelaram que o interesse pela IA não ficou restrito aos grandes centros tradicionais. São Paulo liderou o ranking de engajamento, seguido pelo Distrito Federal e Santa Catarina, mas estados como Rio de Janeiro, Ceará, Paraná, Pernambuco, Tocantins, Amapá e Mato Grosso também apareceram entre os mais ativos.

Em termos de finalidade, o padrão se repetiu ao longo do ano: comunicação e redação lideraram o uso, concentrando cerca de 20% das mensagens, seguidas por aprendizado e capacitação (15%) e por áreas técnicas como programação, ciência de dados e matemática, um reflexo direto do impacto da IA na educação e no mercado de trabalho.

Quem impulsionou esse crescimento

👩‍💻👨‍🎓 O perfil dos usuários brasileiros ajuda a explicar o fenômeno. A maior parte das interações veio de jovens adultos: 33% tinham entre 25 e 34 anos, enquanto 27% estavam na faixa dos 18 aos 24. Estudantes universitários, profissionais em início de carreira, empreendedores e pessoas da área de tecnologia foram protagonistas na adoção da ferramenta, enxergando a IA como uma aliada para ganhar produtividade e aprender mais rápido.

O impacto, aliás, foi além do uso cotidiano. Em 2025, o Brasil se consolidou como o país latino-americano com mais talentos em inteligência artificial e o segundo do mundo em número de desenvolvedores que utilizam a API da OpenAI. Também figuramos no top 5 global em disseminação de competências em IA, reforçando o papel do país não apenas como consumidor, mas como agente ativo na construção desse ecossistema.

Um marco do ano

🥉 Ao olhar para a retrospectiva, o lugar do Brasil no pódio do ChatGPT simboliza algo maior: a popularização definitiva da inteligência artificial no país. Em 2025, a IA deixou de ser um recurso distante para se tornar parte das conversas, dos estudos e dos projetos de milhões de brasileiros.

Se o ritmo continuar, o ano ficará marcado como aquele em que o Brasil assumiu, de vez, um lugar de protagonismo na revolução da inteligência artificial e mostrou que o português brasileiro já faz parte do vocabulário cotidiano das máquinas.⚡

O alerta do MIT que marcou o ano

🚩 Em meio ao avanço acelerado da inteligência artificial em 2025, um estudo do MIT acendeu um dos debates mais sensíveis do ano: afinal, usar IA pode estar deixando a gente mentalmente mais preguiçoso? A pesquisa, ainda em fase prévia (sem revisão por pares), ganhou repercussão justamente por questionar o impacto do ChatGPT no aprendizado, especialmente entre jovens.

O trabalho analisou como o uso da IA influencia a escrita e o engajamento cognitivo e os resultados iniciais levantaram uma bandeira vermelha importante para escolas, universidades e usuários frequentes da tecnologia.

O experimento que chamou atenção

🧪 Para chegar às conclusões, os pesquisadores dividiram 54 participantes entre 18 e 39 anos em três grupos distintos. Um escreveu redações do SAT com ajuda do ChatGPT, outro usou o Google como apoio e o terceiro produziu os textos sem qualquer ferramenta digital.

Durante todo o processo, a atividade cerebral dos participantes foi monitorada por meio de eletroencefalograma (EEG). O que apareceu nos dados virou um dos pontos mais comentados do ano: o grupo que utilizou o ChatGPT apresentou menor atividade cerebral e desempenho inferior em aspectos linguísticos, neurais e comportamentais. Com o passar do experimento, muitos passaram a simplesmente copiar as respostas geradas pela IA, reduzindo ainda mais o esforço mental.

Textos genéricos e pouca memória

✍️ As redações feitas com apoio da IA também chamaram atenção pela qualidade. Avaliadas por professores de inglês, foram descritas como repetitivas, genéricas e “sem alma”. Outro dado curioso reforçou o alerta: quando os participantes do grupo ChatGPT foram convidados a reescrever um texto sem usar a ferramenta, a maioria sequer lembrava do conteúdo que havia produzido anteriormente.

Já os participantes que escreveram sem ajuda ou com apoio do Google mostraram maior engajamento cognitivo, além de se sentirem mais conectados ao próprio processo criativo. Mesmo com tecnologia, a necessidade de pesquisar, comparar fontes e estruturar ideias manteve o cérebro em atividade.

Um aviso para a educação

🎓 A autora principal do estudo, Nataliya Kosmyna, decidiu divulgar os resultados ainda antes da revisão formal por considerar o tema urgente. O receio, segundo ela, é o uso cada vez mais precoce da IA em ambientes educacionais, inclusive entre crianças, sem critérios claros.

Para a pesquisadora, cérebros em desenvolvimento são os mais vulneráveis, e o aprendizado precisa de estímulos cognitivos constantes, não apenas de atalhos tecnológicos. O grupo do MIT, inclusive, já iniciou novos estudos sobre os efeitos da IA em programadores, e os dados preliminares indicam impactos ainda mais preocupantes.

O debate que ficou

🤖 Ao longo do ano, o estudo virou referência em discussões sobre os limites do uso da inteligência artificial. Entre as conclusões mais citadas estão o fato de que usuários de IA se sentem mais eficientes, mas absorvem menos conteúdo, além de demonstrarem menor vínculo com aquilo que produzem.

Apesar da amostra reduzida e da necessidade de revisão científica, o trabalho cumpriu um papel fundamental na retrospectiva de 2025: lembrar que eficiência não é sinônimo de aprendizado.

No fim das contas, o recado que ficou foi claro. A inteligência artificial é uma ferramenta poderosa, mas, usada sem critério, pode comprometer habilidades essenciais. O desafio que marcou o ano foi justamente esse: aprender a equilibrar tecnologia e esforço humano, para que a IA amplifique o pensamento, e não o substitua.

O cinema do século 21 sob os holofotes e o Brasil em destaque

Giphy / Reprodução

O resultado foi um verdadeiro raio-x do cinema contemporâneo, misturando grandes sucessos de bilheteria, obras autorais, animações, filmes independentes e produções que ajudaram a redefinir a linguagem da sétima arte nas últimas duas décadas. Como toda lista ambiciosa, não faltaram surpresas, ausências sentidas e boas polêmicas nas redes.

🇧🇷 Para o Brasil, o destaque veio em grande estilo. Cidade de Deus (2002), dirigido por Fernando Meirelles e Kátia Lund, garantiu um lugar entre os 15 primeiros colocados, reafirmando seu status de clássico moderno e reforçando o impacto do cinema brasileiro no cenário internacional, mesmo tantos anos após o lançamento.

A seleção também reuniu títulos que marcaram época, como Parasita, Moonlight e A Rede Social, além de blockbusters como Batman: O Cavaleiro das Trevas e Pantera Negra. O equilíbrio entre reconhecimento crítico, relevância cultural e inovação estética foi um dos pontos mais elogiados do ranking.

🎥 Mais do que uma simples lista, a iniciativa do NYT acabou funcionando como um retrato da evolução do cinema no século 21: temas sociais ganhando protagonismo, maior diversidade de vozes, avanços tecnológicos e novas formas de contar histórias. Um lembrete de que, mesmo em tempos dominados pelo streaming e pelas redes sociais, o cinema segue sendo um espaço poderoso de impacto, reflexão e memória coletiva.

No balanço cultural do ano, o ranking entrou para a retrospectiva como um daqueles momentos que reacendem o amor pelos filmes e ainda deram um orgulho extra pra gente por aqui. Afinal, Cidade de Deus segue firme como um dos maiores cartões-postais do cinema brasileiro para o mundo.

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